quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

SOBRE SONHOS...

PEDRA DE BOLLINGEN



Face Posterior



Face Anterior




Face anterior da Pedra de Bollingen, esculpida por C.G. Jung. A pequena figura no centro é a pupila (você mesmo) que você vê no olho de outra pessoa. A inscrição grega, traduzida por Jung, diz o seguinte:

"O tempo é uma criança - brincando como uma criança - brincando sobre um tabuleiro de xadrez - o reino da criança. É Telésforo, que erra pelas regiões sombrias do cosmos e brilha como uma estrela elevando-se das profundezas. 
Ela indica o caminho para as portas do sol e para a terra dos sonhos". 
(C.G. Jung, Memories, Dreams, Reflections -p.227) 






Cidade de Sonho - Rosan

SOBRE SONHOS...

Desde a Antiguidade os sonhos sempre despertaram o interesse da humanidade.
Na Antiga Grégia havia o processo de incubação de sonhos nos Santuários de Asclépio, o deus da cura.
As pessoas  que procuravam os Santuários estavam  sofrendo e doentes.
Lá chegando, subtemiam-se a ritos de purificação e eram convidadas a dormir no Templo.
Alí deveriam esperar ter "o sonho certo". Tendo o sonho certo, a pessoa despertava curada...

Na Tradição Judaico-Cristã, o sonho aparece muitas vezes em forma de revelação ou profecia, como na história de José do Egito, que escapa da sanha do Faraó antecipando os desígnios de Deus através de sonhos premonitórios.

Através dos séculos, a Religião, a Filosofia, a Medicina e mais recentemente a Psicologia se encarregam de tentar desvendar os segredos desta experiência absolutamente universal do ser humano.

No Universo das Artes, o sonho serve de inspiração a criadores das mais diversas formas de expressão: na literatura, nas artes plásticas, na música, no drama. Mas foi noséculo XX que a expressão onírica tomou forma nos quadros e esculturas surrealistas, no cinema de imagens, nas narrativas não-lineares.

Acolhendo o sonho -  O sonho é feito de um material tênue, delicado, que se revela, ganha vida e atua apenas quando nos importamos com ele, quando nele depositamos nossa atenção e energia. Saber acolher essas "visitações" com interesse e atenção profundos e verdadeiros é fundamental.

Também importante é criar o clima propício, ou seja, a atmosfera adequada, respeitosa e confiante, para que o sonhador possa se depositar, trazendo as suas imagens com a intensidade emocional que elas possuem. Para "sentir o sonho" é necessário despir-se de todo o saber, de toda a leitura, de todas as idéias preconcebidas. É preciso ficar com as imagens, deixá-las falar, se expressar, se desdobrar, ouvir e ver através delas, deixar-se afetar por elas, pois a princípio elas já contêm tudo de que precisam...


Rosanna Pavesi/jan.2012

2012: O ANO DO DRAGÃO DE ÁGUA NA TRADIÇÃO CHINESA

O ano de 2012 será regido pelo Dragão do elemento Água. Seu início será no dia 23 de janeiro de 2012 e seu término se dará no dia 09 de fevereiro de 2013.



            Na Astrologia chinesa, o Dragão (LÓNG) é um signo poderoso que representa a vitalidade, o entusiasmo, o orgulho, a extravagância e os ideais elevados. 
          O Dragão do conceito chinês é muito diferente da imagem ocidental elaborada culturalmente. Como coloca Joseph Campbell em "o Poder do Mito", nossos dragões são egoístas, tomam e guardam os tesouros e donzelas para si e não permitem a vivência do prazer. O Dragão Chinês é símbolo da Abundância, é generoso e festivo. Além disso, o Lóng é formado por partes de outros animais, tendo olhos de tigre, corpo de serpente, patas de águia, chifres de veado, orelhas de boi, bigodes de carpa, enquanto o Dragão Ocidental é um quadrúpede, retratado como mau.
             O Dragão é um dos quatro animais sagrados da Mitologia Chinesa (que junto do tigre, da fênix e da tartaruga foram auxiliares de Pan Ku, o deus criador, na criação do mundo), associado mais diretamente ao elemento Madeira, do movimento ascendente e expansivo, da Primavera, do Masculino, das Funções do Fígado e da Vesícula Biliar. Apesar disso, é associado à água, sendo mestre das chuvas e das divisões de rios e lagos. Também possuem o dom de organizar e desorganizar o Tempo na sua relação com os Homens.
               Os Dragões Chineses aparecem em diversas cores, tendo normalmente quatro dedos em suas patas, exceção feita ao Dragão Imperial (Amarelo) que tem cinco dedos (os cinco elementos da filosofia taoísta) e segura entre eles uma pérola (yoku), representando a totalidade (como na escultura representada acima). O Dragão preto (água) e o vermelho (fogo) são mais agressivos e destrutivos, por isso algumas previsões para este ano apontam para a possibilidade de desastres naturais (envolvendo água) e conflitos em nível pessoal e coletivo.
              Costumamos associar a China ao Dragão, mas este é um símbolo pouco usado no país - a imagem do  Panda Gigante é muito mais comum. 
                 


            2012 - No Ano que lhe pertence, o espírito indomável do dragão tornará tudo maior na própria vida. Será sábio não subestimar ou queimar todos os nossos potenciais neste ano combustível. As coisas parecem melhor do que realmente são.
            Os orientais consideram que este é um ano auspicioso, bom  para casar, ter filhos ou começar um negócio novo, porque o aspecto do Dragão benevolente traz a  boa fortuna e a felicidade. Será bom para os negócios e o dinheiro pode ser gerado ou obtido facilmente. 




DRAGÃO de ÁGUA - Um personagem mitológico carregado de sucesso e de sorte, mas totalmente imprevisível. É um tipo de Dragão Imperador que favorece o melhor crescimento e a expansão, principalmente em questões espirituais. A água é calma e benéfica, mas também pode arrastar e afundar, engolindo os planos que não estejam bem fundamentados.
O ano do Dragão de Água traz a todos uma dose de energia extra. A busca pelo autoconhecimento, a família, os estudos e o romantismo serão valorizados. No aspecto negativo, a diplomacia e a conciliação poderão ser colocadas em segundo plano e os desentendimentos virão por conta da arrogância. O ano traz experiências e oportunidades, mas mudanças e possíveis desastres naturais nos exigirão sabedoria e capacidade de adaptação. 
(trecho extraído de http://vidaeestilo.terra.com.br/esoterico)


Postado por Fabiana Strambio



sábado, 21 de janeiro de 2012

AMOR E SEU TEMPO

Sem título - Rosan

AMOR E SEU TEMPO


"Amor é privilégio dos maduros
estendidos na mais estreita cama,
que se torna a mais larga e mais relvosa,
roçando, em cada poro, o céu do corpo.

É isto, amor: o ganho não previsto,
o prêmio subterráneo e corruscante,
leitura de relâmpago cifrado,
que, decifrado, nada mais existe

valendo a pena e o preço do terrestre,
salvo o minuto de ouro no relógio
minúsculo, vibrando no crepúsculo.

Amor é o que aprende no limite,
depois de se arquivar toda a ciência herdada, ouvida.
Amor começa tarde."
(Carlos Drummond de Andrade)







Rosanna Pavesi/jan.. 2012

sábado, 14 de janeiro de 2012

SOLIDÃO SOLITUDE


O Ninho - Rosan



SOLIDÃO SOLITUDE


Solidão infinita, na ausência de espaço
Solidão eterna, na ausência de tempo...

Solidão de energia, de gestação criadora
Feita de silêncio, suspensa no tempo e no espaço.

Solidão de paz, de saudades
De falta, de aconchego
De águas calmas
Solidão acolchoada.

Silêncio cheio de sons
Vazio cheio de sentir
Contentamento de estar consigo.

Solidão do início de tudo, do sem fim
Da busca, da dúvida, do questionamento
Da certeza sentida, às vezes só intuida...

Solidão alimento
Solidão procurada, nem sempre encontrada
Solidão de crescimento, não de esquecimento.

Solidão eterna, na ausência de tempo...
Solidão infinita, na ausência de espaço...

Companheira da alma
Alimento da vida...

(Rosan)


Rosanna Pavesi/janeiro 2012


quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

SOLIDÃO SOLITUDE...


Cidade de Gelo - Rosan

SOLIDÃO SOLITUDE...




 Como substantivos, as palavras solidão e solitude significam exatamente a mesma coisa, sendo que solitude é um termo mais de uso poético para se falar e escrever sobre solidão...

 A meu ver, a solidão em si não é nem boa nem má, nem agradável nem desagradável, nem positiva,nem negativa, nem certa ou errada... Ela simplesmente é...

Somos nos que a adjetivamos e qualificamos, a partir daquilo que sentimos, em geral de forma intolerante ou até pejorativa., quando ela nos visita... Somos nos que  a vivemos como desassossego, ou desespero, angustia, isolamento, tristeza, depressão e assim por diante.
Na verdade, o sentimento que acompanha a solidão é nosso, não da solidão em si.

É frequente a solidão nos visitar quando nos sentimos incompreendidos, ou não aceitos, não amados, quando "estamos em crise", quando temos decisões a tomar, escolhas a fazer, caminhos a corrigir.
Isso porque talvez - só talvez - seja só na quietude, no silêncio, no estar a sós consigo mesmo que a resposta a nossos dilemas possa surgir? Antes de compartilhar com outros? Mas, às vezes, é exatamente nessas horas que, diante da solidão, fechamos a porta e lançamos mão de dois mecanismos:

- ou nos isolamos demais, nos fechamos em um casulo, a suportamos esperando que passe, sentindo-nos a mais miserável das criaturas
- ou tentamos fugir, mergulhamos frenetica e vorazmente no mundo, ou ocupamos cada minuto de nosso tempo com tarefas, para não pensar, para fazer de conta que tudo está bem...

Assim, frequentemente perdemos uma oportunidade impar de estar com a solidão, perguntar a que ela veiu, dar-lhe hospitalidade, falar com ela, pois em geral ela sempre tem um propósito. Ao fugir dela, descobrimos que ela nos persegue.
A solidão pode ser uma companheira preciosa em alguns momentos da vida, uma oportunidade impar de transformar um acontecimento em uma experiência  psicológica, afetiva, enriquecedora, transformadora e criativa. Talvez melhor seria deixar-se afetar por ela, deixar que ela nos atravesse e nos modifique com sua passagem por nos.

Como seria então olhar para a solidão de forma criativa e poética?

Ao propor uma forma poética de olhar para a solidão, uso aqui o termo solitude como adjetivo do substantivo solidão, com a finalidade de valorar, qualificar, definir, especificar o que seria  esse tipo de solidão...

Não uma solidão qualquer, mas sim uma Solidão solitude...

Para mim, uma solidão solitude é um estado da alma poético, acolhedor, acalentador, um travesseiro fofo para descançar, prantear, fazer lutos - quando e se necessário - mas também para divagar, devanear, sonhar, psiquear, criar, "futurar", enfim um estado da alma criativo,  in-quietude e silêncio...

                Comparo a Solidão Solitude a um  "Solitário": "Aquela joia em que se engastou
                                  uma só pedra  preciosa, especialmente o diamante. "

                                            Pedra única, pedra orfã, pedra solitária....


Rosanna Pavesi/Janeiro 2012

domingo, 1 de janeiro de 2012

FELIZ OLHAR NOVO!!!

Borboletas - Rosan



FELIZ OLHAR NOVO...
(Carlos Drummond de Andrade)


"O grande barato da vida é olhar para trás e sentir orgulho da sua história.
 O grande lance é viver cada momento como se a receita da felicidade fosse o AQUI e AGORA.

Claro que a vida prega peça. É lógico que, por vezes, o pneu fura, chove demais...
Mas, pensa só: tem graça viver sem rir de gargalhar pelo menos uma vez ao dia?
Tem sentido ficar chateado durante o dia todo por causa de uma discussão na ida ao trabalho?

Quero viver bem.
O ano que passou foi um ano cheio, mas também cheio de problemas e desilusões. Normal.
Foi cheio de coisas boas e realizações.
Às vezes se espera demais das pessoas. Normal.
A grana que não veio; o amigo que decepcionou; o amor que machucou. Normal.
O próximo ano não vai ser diferente.

Muda o século, o milênio muda, mas o homem é cheio de imperfeições,
a natureza tem sua personalidade que nem sempre é a que a gente deseja, mas e aí?
Fazer o quê? Acabar com seu dia? Com seu bom humor? Com sua esperança?

O que eu desejo para todos nós é sabedoria!
E que todos saibamos transformar tudo em uma boa experiência!

Que todos consigamos perdoar o desconhecido, o mal educado.
Ele passou na sua vida.
Não pode ser responsável por um dia ruim...

Entender o amigo que não merece nossa melhor parte.
Se ele decepcionou, passe-o para a categoria três, a dos colegas...
ou mude de classe, transforme-o em conhecido.
Além do mais, a gente, provavelmente, também já decepcionou alguém.

O nosso desejo não se realizou?
Beleza, não tava na hora, não deveria ser a melhor coisa pra esse momento
(me lembro sempre de um lance que eu adoro:
Cuidado com seus desejos, eles podem se tornar realidade).

Chorar de dor, de solidão, de tristeza faz parte do ser humano.
Não adianta lutar contra isso...
mas se a gente se entende e permite olhar o outro e o mundo com generosidade,
as coisas ficam diferentes.

Desejo para todo mundo esse olhar especial."
 (Carlos Drummond de Andrade)
(grifo nosso)






O texto acima me foi encaminhado por Ione Irulegui e achei sua publicação apropriada para o primeiro dia de 2012...

O poeta tem razão... Não é 2012  - ou qualquer outro novo ano - que tem a obrigação de ser diferente, mas sim nosso olhar sobre o mundo, as pessoas, as coisas...
Não se trata de resignação, do tipo "fazer o que... nada vai mudar mesmo...", nem de conformismo ou aceitação passiva.
Talvez se trate mais, se não de sabedoria, pelo menos de escolher não levar tudo a ferro e a fogo, não fazer de tudo o fim do mundo ou  uma tempestade em copo d`água:  uma determinação no uso de peso e medidas diferentes...
Talvez possamos tentar ser um pouco mais generosos e tolerantes conosco e com os outros?

Não sei... Pode ser... E que seja!


Rosanna Pavesi/01 de janeiro de 2012

sábado, 26 de novembro de 2011

SOBRE RESILIÊNCIA


A Árvore da Vida - Rosan


RESILIÊNCIA:
UM CONCEITO POR MUITO TEMPO IGNORADO...
 
Resiliência é um conceito ainda relativamente novo e pouco conhecido.  Os artistas e filósofos expressaram e expressam frequentemente as profundezas do humano bem antes que os cientistas. Traços de resiliência podem ser encontrados na história da arte, na religião e na literatura.

Resiliência deve ser compreendida, pelo lado prático, como a integração de dois elementos:
  •  a atitude de resistir à destruição, isto é, preservar a integridade em tempos difíceis,
  • a atitude de reagir positivamente, apesar das dificuldades.
Para a ciência: resiliência é o poder ou a habilidade de uma substância retomar sua forma original depois de danificada por alguma razão (torcida, amassada, puxada ou empurrada).

Pessoas resilientes têm esse mesmo poder ou habilidade. As vicissitudes da vida podem abatê-las ou elas podem magoar-se com pessoas ou acontecimentos; entretanto, retomam rapidamente sua integridade, quando não se tornam mais fortes e mais resistentes.



RESILIÊNCIA NÃO É:

Sobrevivência
Muitas pessoas que sobrevivem a desastres naturais e pessoais, fracassos, divórcio, são confundidas com resilientes. O fato de aparentemente estarem bem não garante que internamente se dê o mesmo; elas podem tornar-se ambivalentes em relação à vida.

Comportamento despreocupado
O indivíduo despreocupado parece ter muito mais em comum com as pessoas que não assumem riscos e simplesmente se escondem com medo da vida,  do que com os resilientes. Ao avaliar como lida com os riscos, este tipo perde.

Residir no passado
Gastar muito tempo com o passado não é um comportamento resiliente, mesmo que se trate de analisar ou compreender esse passado. Evocá-lo é um instrumento adequado, se for  um meio de compreender o presente e influenciar positivamente o futuro.



 Pessoas resilientes têm padrões de resposta que revelam componentes emocionais e comportamentais, componentes esses que funcionam como "os músculos" condicionados da resiliência.
Indivíduos resiliêntes não  se deixam dominar pela raiva, ou pelo medo e especialmente pelas dúvidas que os angustiam. Eles não são ambivalentes com a vida, que nunca precisa ser renegociada ou reconsiderada.



RESILIÊNCIA É:

OS DEZ COMPONENTES DA RESILIÊNCIA

1. - Comprometimento não ambivalente com a vida - A característica comum e fundamental das pessoas resilientes é a crença transcendente que lhe dá paixão e coragem para voltar sempre. Elas não perdem tempo questionando se a vida vale ou não vale a pena ser vivida. Elas creêm  que vale!

2. - Autoconfiança - Resilientes compreendem o mundo que os cerca, estabelecem metas realistas nesse mundo e desenvolvem as capacidades necessárias para alcançar seus objetivos. É essa confiança que lhes dá força psicológica para lutar por suas aspirações sem nunca perder o senso de integridade. Os problemas e mudanças que a vida lhes apresenta são como oportunidades para que crescam e aprendam, não as ameaçam  ou ferem e não devem ser evitadas ou delegadas a ninguém mais.

3. - Adaptabilidade - Pessoas adaptáveis alteram seus hábitos pessoais e profissionais quando necessário. Tendem a ser cooperativas e evocam respostas positivas das pessoas a seu redor.

4. - Desembaraço - Pessoas resilientes são cientes dos recursos para a solução de problemas e onde encontrá-los. Sabem como e quando procurar a ajuda de familiares, amigos, colegas, instituições educacionais e outros.São criativas e inventivas na medida em que se servem dos recursos para resolver problemas.

5. - Disposição para arriscar - Nem sempre é possível antever o resultado de uma ação ou de um comportamento, particularmente em situações complexas. Por essa razão, muitas vezes uma ação ou uma decisão são arriscadas. A pessoa resiliente nem sempre age "com segurança", mas assume riscos inteligentes, centrados em possibilidades reais e bastante chance de sucesso.

6. - Aceitação de responsabilidade pessoal - Indivíduos resilientes são muito bem fundamentados filosófica e psicologicamente, na sua autodeterminação. Nunca se dispõem ao papel de vítimas. Se erram, assumem e transformam os erros em experiências de aprendizado.

7. - Perspectiva - Os resilientes sabem o que é e o que não é importante. Investem sua energia em tentativas sérias. Muito frequentemente são dotados de bom senso de humor, que usam para aliviar a dor e a tensão em situações de conflito. 

8. - Abertura a novas idéias - Os resilientes absorvem com avidez e sem preconceito novas informações: investigam, avaliam, selecionam e estocam as novas informações para o futuro. Estão sempre abertos a tudo que possa incrementar sua capacidade de aprender e adaptar-se.

9. - Disposiçao a ser proativo - A resiliência é mais proativa que reativa. Os resilientes determinam mudanças com ação positiva, sem esperar que o único recurso possível seja a reação a ações já desencadeadas por outros. Nada se paralisa por medo do desconhecido, da confusão, das crenças inflexíveis ou da convicção de que "nada pode ser feito". Tudo pode funcionar num sentido de ação orientada.

10. - Atenção - Pessoas resilientes prestam atenção ao mundo ao seu redor e sempre consideram as outras opiniões. Ouvem-nas com muita atenção. Traçam o plano de ação que contemple todas as perspectivas além de sua própria.



ALGUMAS CONSIDERAÇÕES FINAIS...

A resiliência não é um tapete mágico...
Às vezes os resilientes podem achar o processo de crescimento e aprendizagem bastante desonfortável; entretanto, estão sempre dispostos a tolerar o desconforto por um certo período de tempo para alcançar seus objetivos a médio e longo prazo.

A resiliência é um resultado...
Alguns dos fatores que contribuem para a resiliência  devem ser levados em consideração:

Não idealizar a resiliência:  ela não é uma panaceia...

Verificar, em cada contexto, o significado concreto dos fatores que contribuem para a resiliência: ela se constroi de forma diferente em cada quadro socio cultural

Cultivar a resiliência: ela nunca é absoluta. 

Pessoas resilientes não estão imunes ao estresse: elas somente são capazes de controlar o próprio caminho e o próprio tempo num grau maior que os não-resilientes.As pessoas resilientes controlam melhor as passadas para evitar desgaste desnecessário.

NÃO SERIA POIS O DESGASTE SENÃO PERDA DE RESILIÊNCIA?





NOTAS:
Tessa Albert Warschaw, - Resiliency, (New York/USA, Editora Mastermedia, 1996)

Já lançado em português (16/11/2011):

Org.: Ceres A. Araujo, Maria A. Mello, Ana Maria G. Rios, - Resiliência - Teoria e Prática de Pesquisa em Psicologia, (São Paulo, SP, Editora Ithaka, 2011).

Imagens-  Fonte: Google




Rosanna Pavesi/Nov. 2011

domingo, 13 de novembro de 2011

CLARICE LISPECTOR: POEMAS E IMAGENS...

Blue Moon - Rosan


APRENDENDO A VIVER...


Uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de.
Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar.
Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes
é o próprio apesar de que nos empurra para a frente.

Não nos temos entregues a nós mesmos, pois isso
seria o começo de uma vida larga e nos a tememos.

Vou continuar, é exatamente da minha natureza
nunca me sentir ridícula, eu me aventuro sempre,
entro em todos os palcos.

... E quando acaricio
a cabeça de meu cão - sei que ele não exige
que eu faça sentido ou me explique.

Gosto e preciso de ti
Mas quero logo explicar
Não gosto porque preciso
Preciso, sim, porque gosto
(Clarice Lispector - Aprendendo a Viver, (Rio de Janeiro, RJ, Editora Rocco,2005)





Se você gosta de Clarice Lispector, acesse também a Página permanente  "Poesia e Prosa" no topo do blog. Lá você encontrará outros poemas de Clarice, Drummond, Rilke e outros...


Rosanna Pavesi

sábado, 5 de novembro de 2011

A OUVIRTUDE...

Pote Partido - Rosan



SOBRE "OUVIRTUDE"...
(baseado em um artigo antigo de Arthur da Távola)



Uma das grandes questões da comunicação - tanto de massa como interpessoal - consiste em descobrir como  e o que o outro ouve, se é que houve...

A mesma frase pode permitir diferentes níveis de compreensão e entendimento. Raras, bastante raras, são as pessoas que procuram ouvir exatamente o que o outro está dizendo, ou tentando dizer.


Eis algumas considerações sobre o tema:


  • Em geral, quem escuta, não ouve o que o outro fala...O que ele ouve então?  Ele:
                           - ouve o que o outro não está dizendo,
                           - ouve o que quer ouvir, 
                           - ouve o que já escutara antes, o que já lhe é  familiar e conhecido,
                           - ouve o que imagina que o outro iria  ou irá falar,
                           - ouve o que gostaria de ouvir,
                           - ouve o que ele gostaria que o outro dissesse,
                           - ouve apenas o que ele próprio está sentindo,
                           - ouve o que ele já pensava a respeito daquilo que ouve,
                           - ouve o que confirma ou rejeita o seu próprio pensamento: ou seja, transforma quem fala
                              em objeto de concordancia ou discordância,
                           - ouve apenas os pontos que possam fazer sentido para as idéias e visões que o estejam
                              influenciando ou emocionando no momento.

  • Numa discussão, salvo raros casos, as partes não ouvem o que o/s outro/s estão falando: cada um deles ouve o que ele próprio está pensando, para dizer em seguida.

  • Quem escuta não ouve o que o outro fala: ele retira da fala apenas as partes que tenham a ver consigo mesmo e que concordem, emocionem, agradem ou molestem.

Vai ficando claro como é raro e difícil conversar...Como é raro e difícil se comunicar!
O que há, na maioria das vezes, são monólogos simultâneos em guisa de conversa, ou monólogos paralelos em guisa de diálogo.O próprio diálogo pode haver sem que, necessariamente, haja comunicação.

A verdadeira comunicação só pode se dar quando ambos os polos ouvem-se, não somente no sentido material de "escutar", mas principalmente no sentido de realmente procurar entender em sua extensão e profundidade o que o outro está dizendo.

Ouvir, portanto, é uma arte: é necessário limpar a mente de todos os ruidos e interferências do próprio pensamento durante a fala alheia. O filtro do preconceito não está na mente e sim no ouvido.

Ouvir implica numa entrega ao outro, numa diluição nele. Daí a dificuldade de as pessoas inteligentes efetivamente ouvirem. A inteligência em funcionamento, o hábito de pensar, avaliar, julgar e analisar, interferem como ruido na recepção plena do que vem de fora. E mesmo de dentro... Ouvir-se é tão raro   e difícil quanto ouvir ao outro...

Não é só a inteligência a atrapahar; outros elementos perturbam o ouvir. Um deles é o mecanismo de defesa... Há pessoas que se defendem de ouvir o que o outro está dizendo por medo de se perderem a si mesmas, medo de perder suas "verdades absolutas" frequentemente recém-conquistadas, seus pontos de referência que oferecem segurança. Elas precisam "não ouvir" porque "não ouvindo" livram-se da retificação dos próprios pontos de vista, da aceitação de realidades e verdades diferentes das próprias. Essas pessoas tentam livrar-se do novo, que é saúde, mas que assusta. Não ouvir é, pois, um sólido mecanismo de defesa: aquilo que não é ouvido, não existe...  

Ouvir implica em  presença: estar presente para si mesmo e para o outro é  um desafio de abertura interior e de abertura em direção ao próximo, troca, compartilhamento, confiança mútua, comunhão...Como Arthur da Távola costumava dizer: " Ouvir é proeza e virtude. Deveria haver a palavra 'ouvirtude'. Ouvir é raridade, até sabedoria, pois é só depois que se aprende a ouvir que a sabedoria começa. Descobre-se então o que os outros estão dizendo a propósito de falar...".


Já passei pela experiência de monólogos e diálogos paralelos diversas vezes e sempre me senti humilhada ao perceber que não estava sendo ouvida...Antes eu costumava me perguntar se eu não estava sendo clara ou se minha conversa era de tal forma desinteressante ao ponto de aborrecer meu interlocutor... Hoje, já não ligo mais, encerro a conversa.


No consultório,  procuro estar presente e disponível para o outro da forma mais plena possível, que inclui ouvir o outro de forma atenta e diferenciada, mas isso não é nehuma virtude, nem sabedoria ainda: é o que norteia meu trabalho, é minha obrigação profissional mínima e um hábito treinado e adquirido ao longo do tempo. Um genuino interesse e empatia para com a pessoa que está sentada à minha frente e está me dando um voto de confiança, de que será vista, ouvida, levada a sério... Há  4 H's (como eu carinhosamente os apelidei) que norteiam meu trabalho: humanidade, honestidade, humildade e uma pitada de humor...

Impossível me desfazer disso quando não estou trabalhando... assim, sempre procuro estar presente, atenta e disponível quando alguém quer conversar, para que não aconteça com o outro aquilo que já aconteceu comigo: de se sentir "não ouvida", não levada em consideração... E tenho também notado o quanto é grande a necessidade das pessoas em geral de serem realmente e de fato ouvidas quando falam...

Então, vamos todos treinar um pouco mais a "ouvirtude" em nossas vidas?


Rosanna Pavesi

sábado, 29 de outubro de 2011

DIA D (RUMMOND) : 31/10

(Rio de Janeiro)

Carlos Drummond de Andrade
31/10/1902 - Itabira - Minas Gerais
                 17/08/1987 - Rio de Janeiro - RJ - aos 84 anos



Sem título - Rosan


Gostaria de deixar aqui uma singela homenagem a Carlos Drummond de Andrade, por ocasião da comemoração da data de seu nascimento: dia 31 de Outubro, carinhosamente apelidado de "Dia D"...

Drummond foi o primeiro escritor e poeta brasileiro que me cativou e com quem aprendi a apreciar a vasta literatura deste país...
Vim para o Brasil já adulta, sem siquer conhecer uma palavra da lingua portuguêsa e sem nada saber da literatura, cultura e costumes deste país. Na época, eu era Tradutora-Intérprete (minha primeira formação) e até aprender razoavelmente o português, eu dava aulas para estrangeiros nos idiomas que eu conhecia, driblando a necessidade de um português fluente. Com facilidade para idiomas, aprendi rápido, apesar de manter um leve sotaque que persiste até hoje...

Porém, com o passar do tempo, percebi algo curioso: eu podia, claro, ler e apreciar as obras da literatura brasileira, mas só de uma forma  intelectual;  eu não conseguia "degustá-las", sentir-lhe o aroma, o gosto...elas não me afetavam, não tocavam minha alma... havia uma distância que parecia intransponível... Me continuavam estrangeiras...De forma que sempre acabava dando prioridade a autores cujos idiomas eu dominava, me sentia a vontade, em casa...

Até que um dia, conversando com alguém, comentei sobre isso e a pessoa me respondeu: "É uma pena, você não sabe o que está perdendo... tente a poesia... leia Drummond de Andrade...". Acolhi o desafio... O primeiro livro que se apresentou foi  Amar se Aprende Amando... O título me cativou...

E aqui estou eu, tanto anos depois, prestando uma homenagem ao poeta que me cativou, me encantou, me fez sonhar, companheiro de muitas horas solitárias, o poeta que soube, com palavras suaves, sensíveis e delicadas, desfazer o feitiço ...



Sem título - Rosan

AO POETA QUE TOCOU MINHA ALMA E SOUBE DESPERTÁ-LA,
MEU MUITO OBRIGADO E MINHA IMENSA GRATIDÃO...


 
 Álém das postagens recentes, também publiquei alguns poemas de Carlos Drummond de Andrade, que me são especialmente caros, na Página "POESIA E PROSA" (que você acessa no topo do blog).  Com o tempo, com certeza, mais e mais poemas serão acrescentados...

Para quem quiser saber mais, sugiro acessar:   http://www.carlosdrummond.com.br/
com belos depoimentos e o próprio Drummond falando...

Rosanna Pavesi