sábado, 23 de março de 2013

PÓ DE ESTRELAS...


Nyx /A Noite (detalhe) by Rosan





SERÍAMOS PÓ DE ESTRELAS?
 
Noites Antigas (by Rosan)


"... HOW CAN A THREE-POUND MASS OF JELLY
THAT YOU CAN HOLD IN YOUR PALM,
IMAGINE ANGELS,
CONTEMPLATE THE MEANING OF INFINITY
AND EVEN QUESTION ITS OWN PLACE IN THE COSMOS?

ESPECIALLY AWE-INSPIRING IS THE FACT THAT
ANY SINGLE BRAIN,
INCLUDING YOURS,
IS MADE UP OF ATOMS THAT WERE FORGED
IN THE HEARTS OF COUNTLESS FAR-FLUNG STARTS
BILLIONS OF YEARS AGO...

THESE PARTICLES DRIFTED FOR EONS AND LIGHT-YEARS
UNTIL GRAVITY AND CHANGE BROUGHT THEM TOGETHER
HERE NOW.

THESE ATOMS NOW FORM A CONGLOMERATE
- YOUR BRAIN -
THAT CAN NOT ONLY PONDER
THE VERY STARS THAT GAVE IT BIRTH
BUT CAN ALSO THINK
ABOUT ITS OWN ABILITY TO THINK
AND WONDER ABOUT
ITS OWN ABILITY TO WONDER.

WITH THE ARRIVAL OF THE HUMANS,
IT HAS BEEN SAID,
THE UNIVERSE HAS SUDDENLY BECOME CONSCIOUS OF ITSELF

THIS, TRULY,
IS THE GREATEST MYSTERY OF ALL..."

(V.S.Ramachandran, The Tell-Tale Brain: A Neuroscientist's Quest for What Makes Us Human)






Tradução Livre


"... COMO PODE UMA PEQUENA MASSA GELATINOSA
QUE CABE NA PALMA DE SUAS MÃOS,
IMAGINAR ANJOS,
CONTEMPLAR O SENTIDO DO INFINITO
E ATÉ MESMO QUESTIONAR SEU PRÓPRIO LUGAR NO COSMO?

O MAIS ESPANTOSO É QUE QUALQUER CÉREBRO INDIVIDUAL,
INCLUINDO O SEU,
É COMPOSTO DE ÁTOMOS FORJADOS NO PRÓPRIO CORAÇÃO DE ESTRELAS DISTANTES,  BILHÕES DE ANOS ATRÁS...

ESTAS PARTÍCULAS FLUTUARAM DURANTE AIONS E ANOS-LUZ
ATÉ QUE A GRAVIDADE,
O ACASO
E INCONTÁVEIS MUDANÇAS 
AS AGRUPARAM AQUI,
AGORA.

ESTES ÁTOMOS FORMAM AGORA UM CONGLOMERADO
- O SEU CÉREBRO - 
QUE PODE NÃO TÃO SÓ INDAGAR
A RESPEITO DAS PRÓPRIAS ESTRELAS QUE LHE DERAM ORIGEM,
MAS TAMBÉM PODE  PENSAR SOBRE SUA PRÓPRIA HABILIDADE DE PENSAR
E INDAGADAR A RESPEITO DE SUA PRÓPRIA HABILIDADE DE INDAGAR...

TEM-SE DITO QUE,
COM A CHEGADA DOS HUMANOS,
O UNIVERSO TORNOU-SE, DE REPENTE,
CONSCIENTE DE SI MESMO...

ESTE, DE FATO,
É O MAIOR MISTÉRIO DE TODOS..."

(V.S. Ramachandran, The Tell-Tale Brain: A Neuroscientist's Quest for What Makes Us Human)






SOMOS PÓ DE ESTRELAS... 



Rosanna Pavesi e Fabiana Strambio
Março 2013

 

domingo, 3 de março de 2013

NO LUGAR...



by Paul Klee



NO LUGAR...


Vontade de falar... No lugar, calo-me...
Vontade de acariciar... No lugar, seguro-me...
Vontade de olhar... No lugar, esquivo-me...

Vontade de beijar... No lugar, controlo-me...
Vontade de abraçar... No lugar, angustio-me...

Vontade de amar... No lugar...
Não tenho nada para colocar no lugar...
A não ser amar, amar e mais amar,
Incontrolávelmente amar...

Amor insensato, apaixonado, descontrolado...
Todo recolhido, contido,
sinalizado, porém não declarado...

Por que calo-me, seguro-me, esquivo-me, controlo-me, angustio-me?
Porque não sei do ser amado...

Às vezes parece que não quer...

Outras parece que quer...Mas ele, assim como eu, não ousa...
e
esconde, cala, segura, esquiva-se, controla-se e angustia-se...

(by Rosan)


Quem dentre nos já não passou pelas agruras de um amor não correspondido, ou de um amor sentido mas não declarado, de um amor contido...de um amor à eterna espera da iniciativa do "outro"?

Assim, se não quiser, diga-o, incontestávelmente diga-o...
E, se quiser, ouse dizer, incontestávelmente diga-o,
Sem medo de parecer ridículo...

O momento é sempre fugidio...
Saiba agarrá-lo sempre,
Tanto para dizer um não, como para dizer um sim...


Rosanna Pavesi/Março 2013


domingo, 17 de fevereiro de 2013

PROCESSO DE MUDANÇA: OS QUATRO ACAMPAMENTOS...

O Inconsciente (by Rosan)


" É preciso por-se em marcha para que as águas se abram..."


Esta frase de Nilton Bonder, em  A Alma Imoral, veio me confirmar que em processos de mudança,
em algum momento precisamos passar da intenção para a ação...

Podemos planejar, especular, refletir, pensar sobre, ponderar, nos preparar, determinar prazos para colocar em prática uma mudança, MAS há sempre o momento derradeiro e profundo da tomada de decisão interna de fazer acontecer, aquele momento em que devemos  "atravessar o Rubicão", dar o passo decisivo...

Em geral, o que tentamos planejar é o momento ideal, quando "x,y,z" acontecer, momento este sempre dependurado em fatores externos variados e muitos "SE": se isto acontecer, se tudo sair conforme
planejado, se nada der errado, se fulano concordar, etc.

Assim, frequentemente, ficamos no momento ideal, e perdemos o momento real, no presente...
Momento este precioso, pois é ele o divisor de águas entre o passado e o futuro, aquele passado
que queremos mudar e aquele  futuro que desejamos promover ...

                         "... É preciso por-se em marcha para que as águas de abram..."

Temos medo...  Medo deste futuro que desejamos mas que ainda não visualizamos...
                         Medo que não dê certo, medo de ousar, de transgredir, de desobedecer,
                         de deixar para trás o conhecido, o estabelecido, rumo ao novo...

NOVO que, de saída, se configura como um VAZIO...Este vazio que, talvez, possa ser imaginado como toda e qualquer experiência ainda não experimentada, o futuro ainda não vivido...
                                                            A nossa Terra Prometida...


by Paul Klee

Terra Prometida esta que precisa ter, como parte de sua tradição,  a possibilidade de rompimento, de mudança pois toda Terra Prometida, em algum momento, acabará por se tornar um lugar estreito também
e pedirá mudança...

Frequentemente, nos condenamos a uma fidelidade hipócrita ao passado, a um compromisso com um passado que obstrui o presente e o futuro...Nos condenamos ao Eterno Retorno do já vivido, enquanto o potencial do não vivido continuará como Eterno Potencial: o momento ideal, sempre arremessado para frente, para um momento qualquer - no futuro - que nunca chega...

É preciso lembrar que todo aquele que não faz juz e uso de todo o potencial de sua vida, de alguma maneira diminui o potencial de todos os outros...E vale também lembrar também que CORAGEM vem sempre acompanhada de medo... Sem medo, não há coragem... Coragem é quando, apesar do medo, decidimos atravessar nosso Rubicão...

Os portões do passado se fecham, os do futuro não se abriram ainda... Sentimos medo, medo de afundar no mar absoluto que há entre o passado e o futuro, aquele mar que precisamos atravessar...
É a chamada fase de transição, de liminaridade, a fase entre uma coisa e outra...

Há uma bela imagem que Nilton Bonder utiliza em A Alma Imoral que eu gostaria de retomar aqui...
É COMO SE estivessemos acampados, aguardando o momento certo para a travessia do mar absoluto,
este mar que é a fase de liminaridade, de transição de um locus para outro, aguardando que as águas se abram para atravessar...





by C.Portinari

Segundo N. Bonder, há quatro tipos de acampamentos, ou seja quatro posturas psicológicas:

1. - VOLTAR: O retorno reconhece o poder do lugar estreito que nossa vida se tornou. Este lugar do hábito é tão poderoso que foi uma ilusão se deixar levar pelo sonho de sair. A proposta de voltar pressupõe uma vida estreita e em conformidade com a realidade e as limitações que esta impõe. Voltar é escolher ficar no passado, no conhecido...Mesmo que seja só para reclamar e se queixar...

2. - LUTAR: É a crença de que se poderá fazer do próprio lugar estreito um lugar mais amplo. Desafia-se o lugar estreito... E esquecemos que o lugar que se tornou estreito um dia não o foi...

3. - JOGAR-SE AO MAR: Atitude de desespero.O acampamento tornou-se um limbo isuportável em que não há mais o passado que o definia, nem um novo futuro que o redefina. Na busca de um novo bom não se encontra um novo correto...

4. - ORAR: É um recurso de fazer da situação do novo uma reprodução do lugar estreito. Numa aparente resolução das demandas da psique, exige-se que a realidade seja "compassiva", permitindo que o novo lugar NÃO exija uma nova definição de nos mesmos. O novo lugar é o velho sem parecer estreito...

Nenhum dos quatro acampamentos representa o futuro e a saida. Todos eles são variações sobre o tema Hesitação e Vacilação, a fronteira onde, levando dentro de nos o nosso passado, tudo aquilo que já fomos e tudo aquilo que já vivemos, nossa bagagem, damos o passo rumo à nossa Terra Prometida...

Nos quatro acampamentos, há: Os que sabem e sabem que sabem...
                                               Os que sabem mas não sabem que sabem...
                                               Os que não sabem e nem sequem sabem que não sabem...
                                               Os que não sabem mas presumem que sabem...

                                 ... É preciso por-se em marcha para que as águas se abram...
                                               Confiar em si e nos processos da Vida...

                             O FUTURO SÓ EXISTE SE VOCÊ SE PÕE EM MARCHA...


                                                   (Notas: A Alma Imoral - Nilton Bonder - Editora Rocco)

                                                 Rosanna Pavesi/Fevereiro 2013

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013








O ANO DA SERPENTE DE ÁGUA TEM INÍCIO
NO DIA 13 DE FEVEREIRO DE 2013

Para os antigos sábios orientais o símbolo da SERPENTE está associado à longa vida, proteção e boa sorte. De acordo com o ciclo de nascimento e destruição, que rege a inter-relação entre os cinco elementos, a ÁGUA é o destruidor do fogo e, por fazerem parte de um ciclo destrutivo, têm relação com conflitos e mudanças radicais.

Tais elementos conflitantes geralmente significam que o ano não será pacífico, com tendências a discórdias por quebra de velhos dogmas arrastados por muitos séculos. Mas através da destruição há um novo recomeço. Uma visão mais clara sobre o que estava oculto e não podia ser visto.

Neste ano a Serpente tem a cor NEGRA, do elemento água, e a natureza YIN, mostrando um final de ciclo.  Após um ano onde reinou o Dragão de Água Yang, impetuoso, os ânimos agora se aquietam, reinando mais serenidade. Um bom ano para refletir, planejar e procurar respostas. A serpente é reflexiva, curiosa, coerente, organizada e sensual.

A serpente tem uma energia sorrateira que pode ser a sua vantagem. Foco e determinação são as palavras para esse ano da serpente negra. A serpente negra traz mudanças inesperadas, instabilidade e mutabilidade. Vale notar que será preciso prestar atenção aos comportamentos traiçoeiros, falsos e desleais. Pensar muito antes de agir. A Serpente pode ser calculista, vingativa, desconfiada e obstinada, mas tendo em si o elemento Água Yin, que é como uma chuva de primavera: generosa e pacífica, ao contrário de 2012, (Água Yang) quando era como um rio torrencial.

SAÚDE, TRABALHO, DINHEIRO E AMOR

Este será um ano de maior desgaste material e financeiro, onde o futuro não ocupa a primeira preocupação. Existirá uma  tendência ao desperdício, quando o ideal seria economizar.

A inteligência estará mais evidente, a sensibilidade mais bloqueada e a ansiedade com um grau bastante elevado. ­O coração do ser humano estará mais inquieto e pouco amoroso.

O trabalho deverá ser desenvolvido de forma coletiva, não tendo espaço para o egoísmo.

Na saúde, observe o equilíbrio entre a alimentação, o descanso, o trabalho e o lazer, pois existirá uma tendência de se ficar  mais envolvido com um aspecto em detrimento de outro. Isso trará maior desgaste energético para o corpo. As pessoas  deverão estar atentas ao aspecto do fígado, observando o que sentem, comem e tudo o que esteja ligado aos prazeres sensoriais.

É um ano positivo para confirmar relacionamentos amorosos e para os casamentos, mas para aqueles que já estão comprometidos, pode ser um ano de brigas mais intensas e alguma discórdia.

FENG SHUI

Até o dia 30 de janeiro de 2014, o setor Nordeste de todos os lares e locais de trabalho estará extremamente favorável. Por  outro lado, deveremos evitar o centro, que estará bastante desfavorável. Dormitórios, circulação de vento, motores em funcionamento por 24 horas, não são recomendados para esta direção em 2013. O Sudoeste deverá ser olhado com atenção e cautela.

POR FIM

Durante os anos da Serpente, nossas preocupações devem se voltar para interior, para o crescimento espiritual, descobrindo as razões por trás das coisas. Um ritmo mais lento, calmo, um pensamento profundo, um ano filosófico, onde a intuição e todas as coisas reinam no caminho do meio.

“A sabedoria venerável da serpente será evidente em muitas facetas da nossa vida, particularmente aqueles que requerem decisões. Embora tudo possa ter um ar fresco e calmo à superfície, o ano da serpente é sempre imprevisível. A parte dianteira fresca da serpente esconde as  maneiras profundas e misteriosas da sua natureza. Deve-se ter em conta que uma vez que a serpente se desenrola para atacar, ela move-se  como um relâmpago e nada pode ser mais repentino e devastador do que ela.
Veja onde pisa e seja mais cauteloso este ano. O jogo e a especulação são estritamente proibidos. As consequências deverão devastadoras. A serpente não é misericordiosa.
O que poderá também acontecer, a serpente dar-nos-á fé nas nossas convicções e forçar-nos-á a agir durante o seu reinado.”
VIKTOR ISTOMIN


por   Fabiana Strambio

domingo, 13 de janeiro de 2013

O ALQUIMISTA...


Presentes do Mar (by Rosan)


SOBRE O MEU TRABALHO...

Vocação descoberta tardiamente...
Minha outra grande paixão...

Há quatro H's que norteiam meu trabalho:
Humanidade, Honestidade
Humildade, Humor...

Jung dizia que
 "... o encontro de duas personalidades
assemelha-se ao contato de duas substâncias químicas:
se alguma reação ocorre, ambos sofrem uma transformação...".

Verdadeiro...
Foi ao fazer terapia que descobri minha verdadeira vocação
e sofri uma transformação que  mudou minha vida...
Voltei a estudar, me tornei Psicóloga Clinica e Psicoterapeuta de Abordagem Junguiana.

Hoje, exercendo minha profissão  há mais de quinze anos, transcrevo e dedico este poema,
escrito no papel de cliente há muitos anos atrás,
a todos os alquimistas que conheço em minha profissão e dentre os quais gosto de me incluir e, principalmente,
a meus clientes,
sem os quais não haveria nem alquimia nem transformação mútua possível...

E é  sempre bom lembrar que, tanto como terapeutas e/ou como clientes,  
Somos todos humanos...
A mão do alquimista também treme de vez em quando...


A Pérola do Amor (by Rosan)


O ALQUIMISTA

"Este homem não me amou, nem munca me beijou ou abraçou como homem...
Me magoou, sim, mas não fugiu, ou abandonou, nem me entregou, ou criticou

Uma vez somente gritou, outra me censurou, mas também me endossou
Sua mão tremeu, sim, uma vez só
Mas me olhou, me viu, me ouviu, me falou e silenciou

Me olhou como pessoa, com aquele olhar estranho
Impiedoso e tão cortante, eficiente e arrogante, ou alegre e brincalhão,
Às vezes tão profundo, preocupado, as vezes um pouco ausente, ou irreverente,
Mas sempre com muita compreensão...

Me ouviu pacientemente, bocejou de vez em quando, disfarçou tranquilamente,
mas estava ali, presente.

Me falou quando podia, quando eu lhe permitia
Às vezes com carinho, ou com ternura, outras com ironia, compaixão ou alegria.
Me tirou do escuro e, em silêncio, me devolveu à luz,
Me sacudiu, me ensinou, me emprestou sua energia.

Resgatou todo um passado, devolveu-me em poesia mil palavras corriqueiras.
Dissolveu minhas magoas, libertou minhas muitas lágrimas,
desmanchou meus muitos nós,
acariciou meus pensamentos,
 suavizou meus pesadelos...

Companheiro, sem querer, de uma viagem tenebrosa,
mas também maravilhosa
Este homem me ajudou..."
(Rosan - 1991)

Ao transcrever o poema voltei atrás no tempo e, confesso, hoje, a partir de outra perspectiva, fiquei feliz de reencontrar esta parte de mim que pertence à minha primeira experiência de terapia na vida, experiência alquímica que transformou minha vida de forma tão radical ...

Rosanna Pavesi/Janeiro 2013



Coniunctio: Os Noivos Vão à Cidade  (by Rosan)








domingo, 6 de janeiro de 2013

SOBRE O PINTAR COMO FORMA DE EXPRESSÃO: INDAGAÇÕES E DIVAGAÇÕES...


                     Gostaria de iniciar 2013 com dois posts sobre minhas duas "grandes paixões":

                                                          a pintura e meu trabalho...


                                                                     
A Árvore da Vida (by Rosan)


 SOBRE O PINTAR COMO FORMA DE EXPRESSÃO: INDAGAÇÕES E DIVAGAÇÕES


SOBRE O PINTAR...


A Paixão (by Rosan)


O espaço do pintar é o espaço da imaginação, um espaço de liberdade, onde as dimensões espaço-tempo são relativizadas e as possibilidades tornam-se vivenciáveis. 
Este espaço pode ser o espaço da lembrança, mas também o espaço do futuro, inserido no presente como atualidade.

Pintar é um ritual pessoal, individual, podendo servir de continente e salvaguardar a estabilidade da personalidade quando em transição de uma situação psicológica, ou existencial, para outra.
Como ritual, a pintura é uma jornada da alma através das imagens, um ato de re-criação do próprio eu em transição...
Ao pintar, buscamos re-ligar emoção, significado e ação.

O gesto, 
 torna-se um gesto simbólico, um gesto de integração fisiopsiquíca, um gesto estruturante
 e também um gesto de amor, um amor dirigido à nossa alma.
Quando pintamos, não há segredos,
 mas sim um profundo mistério.

Ao pintar, buscamos lançar uma ponte entre os dois mundos
que Jung denomina respectivamente de Florescente e Flamejante:

O Flamejante: o mundo de Eros... É um impulso para o alto, é vertical, representa a criatividade, a espontaneidade, o movimento, a mutação, a chama, a paixão, o transcendente...

O Florescente: o mundo da Árvore da Vida... é o impulso para o horizontal, a expansão, o imanente, a conservação da vida, o espírito da civilização, a trivialidade do cotidiano com toda sua poesia...

Pintar é uma tentativa de reconciliar estes dois mundos:
Temos uma tela em branco que pede para ser preenchida,
e somos confrontados com o desafio de dar substância a um impulso, a uma imagem interna,
dentro dos limites de um espaço demarcado...
tem que caber alí, na tela, assim como o impulso criativo tem que caber na vida cotidiana,
 assumir uma forma, encontrar seu caminho, penetrar o mundo...

Se olharmos para as imagens pintadas como uma série, assim como fazemos às vezes com os sonhos,
podemos observar que, frequentemente, elas se modificam ao longo do processo,
podendo desdobrar-se em diversos quadros,
cada qual enfocando um dado especto de um mesmo tema,
 facilitando sua compreensão e o escoamento da emoção ligada à imagem.
As imagens parecem possuir sua própria intencionalidade, finalidade e significado específico,
dirigido a quem as pintou...

Isto parece confirmar o fato de que a energia sempre sabe quais os caminhos a percorrer,
qual o gradiente correto para cada momento.
A imagética da alma parece possuir seus próprios caminhos e propósitos,
 trazendo à tona os conteúdos da psique em seu próprio ritmo e tempo,
estruturando-os em imagens, evocando reflexões sobre o momento de vida específico de quem as pinta
e isso sempre, a nosso ver, com o intuito de esclarecer, guiar, iluminar
os recantos mais escuros da psique, tornando-os acessíveis à nossa consciência.

Uma vez que a energia dificílmente troca de meta se não se transforma,
uma das funções das imagens é justamente promover tal transformação.

As imagens pintadas não necessitam necessariamente ser simbólicas no sentido coletivo ou universal...
Elas podem tornar-se símbolos pessoais, possuindo um conteúdo simbólico para quem as pintou...
Os símbolos são os dínamos que transformam uma modalidade de energia em outra.

Ao pintar, os anseios ganham forma, contornos, cor, limites, expressão...
 eles comunicam, eles dizem, simbolizam...
A qualidade da pintura é importante mas, mais importante ainda,
é o impulso transbordante de vida que está por detrás dela.

A pintura pode também funcionar como elemento facilitador de contatos revitalizantes com a psique, conduzindo à expansão da criatividade e ampliação de potencialidades,
permitindo a revelação, expressão e comunicação de conteúdos psiquícos,
estimulando transições e mudanças e propiciando, muitas vezes,
descobertas surpreendentes.

Eu pessoalmente, pinto por necessidade e por amor...
por necessidade:
 de expressar "coisas" que somente consigo expressar através da pintura;
 por amor:
 amor à psique, amor às imagens...
amor ao discurso da psique, ao longo do tempo, conosco...
Uma grande paixão...
Um grande amor...


(Notas: Rosanna Pavesi, - A Psique em Busca de Expressão - Pintura e Vocação na Metanoia,  em "Jung e Corpo"- Revista do Curso de Psicoterapia de Orientação Junguiana Coligada a Técnicas Corporais, Ano III, N.o 3, 2003)


Rosanna Pavesi/Janeiro 2013


No próximo post: meu trabalho...





domingo, 16 de dezembro de 2012

METANOIA, PINTURA E VOCAÇÃO: CONSIDERAÇÕES FINAIS...




Eros, o Flamejante (by Rosan)


METANÓIA, PINTURA E VOCAÇÃO...
CONSIDERAÇÕES FINAIS...


Jung valorizou de forma especial o processo criativo como manifestação de saúde mental
e restauração do equilíbrio psíquico, tanto no indivíduo quanto na cultura.
Ele considerava a criatividade como uma função psiquíca natural,
que se realizaria por intermédio de símbolos, presentes em todas as expressões artísticas,
bem como nos sonhos e nas fantasias.

Em toda a obra de Jung encontramos inúmeras leituras de imagens,
quer seja de sonhos, visões, desenhos, pinturas, sempre estudadas em série.
 Jung compreendia essas imagens como auto-representações de transformações energéticas
que obedecem a leis específicas e seguem uma direção definida.

Em nosso contexto, a pintura pode ser imaginada e pensada essencialmente
como um espaço de proteção do novo, até que uma idéia, um projeto de vida,
 uma nova atitude e/ou relação com a vida alcance um certo ponto de maturidade
e consiga efetivar mudanças eficazes e integradas
na dimensão terrena e existencial do indivíduo.

Sob esta perspectiva, a pintura apresenta algumas características específicas, a saber:
  • Vem de repente, não é necessariamente um dom...
  • Como o Anjo da "Anunciação", ela traz uma mensagem relativa ao futuro.
  • Simplesmente chega e quer ser ouvida...
  • É premente e compulsiva... Ela se impõe...
  • Atua como Função Transcendente...
  • Transcende o momento presente... apresenta algo novo...
Em todos os casos que tive o privilegio de acompanhar, incluindo meu próprio caso,
encontrei algo em comum quanto à relação entre metanóia, pintura e vocação:

* Todos os indivíduos eram relativamente bem sucedidos em suas atividades profissionais,
mas estavam insatisfeitos com seu trabalho em termos de gratificação e auto-realização pessoal.

* Nenhum lembrava de seus sonhos, como se a pintura
 fosse o único canal disponível de comunicação da psique.

* Todos apresentavam, num primeiro momento, uma regressão temporária da energia
e uso parcialmente defensivo da pintura.
 Usavam a pintura como defesa contra o tédio e, ao mesmo tempo,
contra o medo de não ser capaz de promover mudanças, de ser tarde demais,
de não ser criativo, etc.
Defesa esta que, de saída, não pode ser simplesmente retirada,
pois ela possui uma importante função de contenção energética.

* Após um período de incubação, imobilidade e silêncio,
que sempre antecede um ato de criação,
a energia volta a progredir e todos encontraram a coragem, ousadia,
 recursos para "dar o pulo do gato"...

* Todos mudaram radicalmente de profissão,
abrindo mão de conquistas por vezes arduamente conquistadas na primeira metade da vida,
para começar profissionalmente praticamente do ponto zero novamente.

* Todos continuaram pintando, mas nenhum deles fez das artes plásticas sua profissão.
A pintura tornou-se parte integrante de suas vidas, um segundo amor digamos assim,
um registro de vida, um valioso instrumento de expressão encontrado ao longo do caminho...

* Após a revelação vocacional,
cada qual teve que haver-se com a obrigação ética
de ser, ou tornar-se, aquilo que sempre foi mas que não se acreditava capaz de ser, ou tornar-se.

* Todos descobriram que não havia outra saída, a não ser tentar...



Psique, a Resplendescente (by Rosan)


Desvendar a obra de alguém implica em estar aberto a conhecer
 quem se coloca à nossa frente, vulnerável e em toda a sua nudez,
 tendo a clareza de que ele é um ser único.

No consultório, as informações que a linguagem da arte possa vir a trazer,
só poderão ser validadas através da relação íntima e pessoal com quem as produziu...

Hipóteses elaboradas a priori, não fazem sentido.

Trata-se, essencialmente, de deixar as imagens fluir e cumprir sua função
para com aqueles indivíduos que as pintaram.
 As imagens coagulam...
Ao contemplá-las, ao relacionarmo-nos com elas, algo acontece em nós...

Na busca de nosso próprio modo de viver,
surge o ato criativo como forma de expressão da influência criativa e ordenadora da Psique,
tanto através de símbolos,como da arte.
Passamos a encarnar e refletir no mundo nossa substância essencial,
da melhor forma viável e possível,
deus volente...


(Notas: A Psique em Busca de Expressão: Pintura e Vocação na Metanoia, Rosanna Pavesi, em "JUNG E CORPO", Revista do Curso de Psicoterapia de Orientação Junguiana Coligada a Técnicas Corporais, Ano III, N.o 3, 2003 - Sedes Sapientiae, São Paulo, SP)


Rosanna Pavesi/Dezembro 2012

domingo, 25 de novembro de 2012

A PSIQUE EM BUSCA DE EXPRESSÃO: METANÓIA E VOCAÇÃO (III)



(Autor desconhecido)


METANÓIA, PINTURA E VOCAÇÃO


SOBRE METANÓIA E VOCAÇÃO...





Pedra-ovo (by Rosan)


"Cada pessoa tem uma singularidade que pede para ser vivida e que já está presente antes de poder ser vivida..."
(James Hillman em O Código do Ser, Rio de Janeiro, Objetiva, 1997, p. 16)


Vocação, neste contexto, assume a conotação de um chamado interior profundo,
 um apelo daquilo que necessitamos fazer, parte essencial de nossa individualidade,
 de nossa identidade pessoal, que - principalmente na metanóia -
leva frequentemente a uma mudança por vezes radical, na vida como um todo.

Na busca de um novo sentido, reestruturamos nossa identidade profissional,
nossa forma de estar no mundo, nosso estilo de vida, nossas prioridades...

Ressignificamos aquilo que é essencial, importante, secundário, supérfluo, prioritário ou só urgente...
Re-definimos aquilo sem o qual não podemos viver e aquilo que pode ser deixado para trás...

Na metanóia, a nosso ver, o resgate e/ou a descoberta vocacional  insere-se num contexto mais amplo, em um processo denomidado por Jung de processo de individuação:
o tornar-se aquilo que se é,
o des-velar e vivenciar, da forma mais plena possível, o potencial de nossa singularidade,
em todas suas nuances de luminosidade e sombras, de abertura e limites...

É um "último chamado" para a autenticidade...

Nesta fase, dois instintos parecem predominar:
o instinto de reflexão
compreendido como um voltar-se temporariamente para dentro,
para longe do mundo e dos objetos externos,
 em direção às imagens e experiências psíquicas subjetivas,
à religiosidade e à busca de significado.

o instinto criativo
como uma necessidade de vida.
Segundo J. Hillman (1) a criatividade, bem como os outros instintos, requer consumação, sendo capaz de produzir imagens de seus objetivos e de orientar o comportamento para a sua satisfação.
Lembramos também que, para Jung, o prototípo do inconsciente não é o reprimido,
 mas também o criativo e o ainda não vivido.

A ressignificação do trabalho como instrumento de auto-realização vocacional
é parte essencial deste processo.
Do ponto de vista prospectivo, acreditamos que, nesta faze de vida,
o instinto criativo possa ser imaginado e pensado como impulso para a totalidade.
Este impulso para a auto-realização age com a coercitividade de um instinto,
somos impelidos a sermos nós mesmos...

E, talvez,seja esta a verdadeira tarefa humana criativa? 


Rosanna Pavesi/novembro 2012


(NOTAS: (1) - James Hillman, O Mito da Análise, Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1984)









sábado, 17 de novembro de 2012

A PSIQUE EM BUSCA DE EXPRESSÃO: METANOIA E PINTURA (II)




 

(Autor desconhecido)


(II) - METANÓIA E PINTURA... E VOCAÇÃO...



SOBRE O PROCESSO




A Chuva (by Rosan)


Tudo parece começar com um certo mal-estar, certa falta de sentido...
A vida parece perder a graça, há um vazio, ou melhor, um vácuo... um vácuo que resiste...
Uma parte de nós mesmos parece estar flutuante, faltante, ausente, ou ainda não nasceu?
Para conter este mal-estar, buscamos um canal criativo, algo novo,
algo que nunca fizemos antes,
 uma atividade expressiva, frequentemente...
No nosso caso, a pintura...

Inicia-se um grande caso de amor com a pintura:
pintamos com paixão, com uma "fúria divina",
 extasiados com as possibilidades desta nova linguagem.
 Esquecemos do tempo, totalmente imersos no ato criativo.
Lutamos para dar forma e cor a enseios invisíveis e, no limite, indisíveis...
Algo quer vir a tona:
não sabemos bem o quê, mas deixamos as imagens aflorar...
Sentimo-nos preenchidos novamente, revitalizados,
voltamos a ter contato com nosso mundo interior através da pintura
e isto, por algum tempo, nos basta...

O espaço do pintar torna-se um espaço sagrado, nosso temenos,
que tanto pode servir de refúgio,de parêntese para um cotidiano insatisfatório,
como de espaço de construção, e/ou de transformação,
um útero psicológico onde entramos em busca de renovação,
onde ousamos  penetrar no criativo e acolhemos a visita da  imaginação...

Encontramos um canal onde a energia criativa,
para a qual ainda não temos espaço em nossa vida,  pode fluir.
Pintamos para nos, pintamos por necessidade de expressar, de alguma forma,
algo incipiente, algo que ainda não sabemos nem nomear...
Pintar, criar, é sempre um ato solitário, intimo, recluso...
Assim, frequentemente, após certo tempo,
só pintar também não basta...
Só pintar também já não resolve mais...

O que acontece?
Acontece que a energia quer voltar a progredir,
 o impulso criativo quer expressar-se no mundo externo e em nossa vida como um todo.
Após o mergulho solitário, após o recolhimento,
 o impulso para a ação e a atividade externa  torna-se premente, dominante, novamente.

Para que, então, a pintura surgiu em nossa vida?
Qual seu telos, sua intencionalidade?

Gosto de pensar que ela veio para nos sacudir, para deixar o novo, o criativo, penetrar em nossa vida.
Após pintar, após criar e expressar algo que antes não existia,
torna-se intolerável não resgatarmos a nós mesmos, ao "sonho" que deixamos para trás,
ou à vocação, cujo chamado é ao mesmo tempo fascinante e assustador.

Compreendemos, dolorosamente, que algumas das escolhas anteriores já se esgotaram ou que,
de alguma forma, elas já não fazem mais sentido para nós, que elas já não preenchem mais...
E, após a metanóia, 
 há muita vida ainda para ser vivida...

Neste caso, a pintura veio como instrumento para mergulharmos em nosso mundo interior,
 libertarmos nossa criatividade encapsulada. 
A criatividade possui uma peculiaridade:
uma vez libertada, ela se espalha e, aos poucos, vai abrangendo as mais diversas áreas de nossa vida,
em geral de forma bastante benéfica.
Tudo muda...

Ganhamos força e coragem para mudar aquilo que precisa ser mudado,
reconquistando a capacidade de avançar em curso modificado.
Compreendemos que a pintura talvez não seja a meta em si,
 mas o instrumento tão só para algo maior...

Ela é o dedo que aponta para a lua,
mas ela não é a lua...
A nossa "lua" é o chamado daquilo que deve ser acolhido em nossa vida.
No nosso caso, é o chamado da vocação...

Encontramos recursos internos e força para abrirmos mão, muitas vezes, de conforto, segurança, status social, e lançarmo-nos ao resgate de uma parte de nós mesmos que pede para nascer psicologicamente.
Nossa vocação pede para ser vivida...

Se estamos em terapia, a terapia torna-se um lugar seguro para ensaiar, analisar,
descartar, imaginar a mudança antes de colocá-la em prática. 
Através deste estar frente a frente com o material produzido e consigo mesmo,
tendo o terapeuta como companheiro de viagem,
o indivíduo pode ir se apossando de seus conteúdos mais profundos.
Sonhos começamos a surgir, oportunidades nunca antes percebidas passam a ganhar espaço,
buscam-se dados, canais e informações concretas "lá fora"...
Pintamos menos, ou já não tão só...

Assim como um dia tivemos a ousadia de pegar um pincel e começar a pintar,
agora ousamos pensar como possível o que era tido como impossível.
"Enraizamos"...
Passamos da intenção para a ação planejada,
transformamos um "sonho" prenhe de significado em projeto de vida,
percorremos os caminhos do excesso de entusiasmo,
do desânimo, dos medos e das dúvidas...

Nunca é fácil, mas descobrimos que não há outra saída a não ser tentar...


Rosanna Pavesi/Novembro 2012


(Notas: "A Psique em Busca de Expressão - Pintura e Vocação na Metanoia", Rosanna Pavesi - Artigo publicado em
Jung e Corpo - Revista do Curso de Psicoterapia de Orientação Junguiana Coligada a Técnicas Corporais -
 Ano III, N.3, 2003 - São Paulo, Instituto Sedes Sapientiae)

 

domingo, 11 de novembro de 2012

A PSIQUE EM BUSCA DE EXPRESSÃO: METANOIA(I) , PINTURA (II) E VOCAÇÃO (III)


(autor desconhecido)


A PSIQUE EM BUSCA DE EXPRESSÃO
Metanoia, Pintura e Vocação



"Sempre que me sentia bloqueado, eu pintava ou esculpia uma pedra: tratava-se sempre de um  rite d'entrée que trazia pensamentos e trabalhos... ''(C.G. Jung, Memórias, Sonhos, Reflexões, Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1993)



(I) - SOBRE A METANÓIA...

"Nel mezzo del cammin di nostra vita..." como já disse Dante Alighieri...
Aquele momento, em nossa vida, talvez entre os 35 e 45 anos (?), quando já podemos olhar para trás, olhar para aquilo que já fizemos, que já alcançamos  e nos perguntamos se queremos
continuar no mesmo caminho... ou não...
A metanóia:
Uma crise existencial?
Uma oportunidade existencial?


Na metanóia, extensas áreas de nossa vida são frequentemente questionadas e reavaliadas...
Muitas vezes algum tipo de resgate ou mudança impõe-se de forma premente e inadiável.
Digo impõe-se porque, de fato, não temos escolha:
Somos compelidos a olhar para dentro, para nossos anseios mais profundos, para o não-vivido, os "sonhos" esquecidos e haver-se com eles.

Fazemos um balanço, reavaliamos nossas prioridades, nossa forma de estar no mundo,
em busca de um novo sentido, de algum sinal...

Sentimos que estamos em uma encruzilhada, mas não sabemos qual direção tomar...
Sabemos que temos um passo a dar, uma escolha a fazer, mas estamos com medo...
Talvez haja um projeto de vida a resgatar, mas não sabemos nem como, nem por onde começar...
Ou, ainda, nada mais parece fazer sentido, ter graça, a vida tornou-se árida, opaca...

Não sabemos o que fazer, buscamos uma saída...

E...PINTAMOS, BORDAMOS, MOLDAMOS, DANÇAMOS, ESCREVEMOS, COZINHAMOS,
DESENHAMOS, ESCULPIMOS...

Eu não esculpia, nem desenhava, nem dançava ou moldava,

EU SOMENTE  PINTAVA...

Quando, na metanóia, a pintura (ou outra expressão artística não usual para nos) entra de repente em nossa vida -como foi o meu caso e de outros que tive o privilégio de acompanhar - só pintar não basta...

Precisamos descobrir a que a pintura veio e o que a psique quer comunicar...

Levanto a hipótese de que, talvez,  a psique esteja buscando chamar nossa atenção,
 expressando-se de forma insólita através de nos...
que esteja tentando nos mostrar e dar forma a um potencial ainda não revelado, ou ainda não vivido que pede passagem...
Qual o telos, a finalidade, o proposito? 

O que a psique quer?


(Notas: A PSIQUE EM BUSCA DE EXPRESSÃO - Pintura e Vocação na Metanoia", artigo por Rosanna Pavesi em  JUNG & CORPO- Revista do Curso  de Psicoterapia de Orientação Junguiana Coligada a Técnicas Corporais - São Paulo, Sedes Sapientieae,
Ano III - N. 3 - 2003).


Rosanna Pavesi/Novembro 2012

No próximo post:
METANOIA E PINTURA (II)