domingo, 7 de abril de 2013

NADA EM EXCESSO...


Involvente (by Rosan)


NADA EM EXCESSO...

Lendo o livro de Eduardo Giannetti, Auto Engano, um pequeno trecho chamou minha atenção pois, confesso, pela primeira vez me deparei com uma questão sobre a qual nunca havia refletido antes, pelo menos não a partir da perspectiva que Eduardo Giannetti adota...

A QUESTÃO DO AUTOCONHECIMENTO...

Eis o que ele escreve:

"... NADA EM EXCESSO:

A ameaça da hýbris (arrogância) seguida de némesis (ira dos deuses, punição) também ronda o
"conheça-se a si mesmo".

O sobreviver, o procriar e o criar humanos têm exigências que ultrapassam
o domínio do biológico e a nossa capacidade de compreensão.

A alegria espontânea de viver e a atividade criativa dependem de uma disposição à entrega que a racionalidade apolínea, fonte da ética e do conhecimento objetivo, solapa e não sacia.

O animal humano cobra sentido no existir:
pessoal, coletivo e cósmico.
Ao estabelecer limites para o preceito délfico do autoconhecimento,
 o princípio da moderação se autolimita.
Sem exagero, é claro..."

O autoconhecimento também se esgota e se limita...
Há o mistério, o mistério da vida, que vai além de nossa compreensão...
O mistério não é para ser desvendado, des-velado, dessecado,
mas sim, respeitado...

Acostumada a valorizar o autoconhecimento como fonte de expansão da personalidade,
 nunca antes tinha parado para olhar para esta questão a partir de outro locus, de outra perspectiva...

Excesso de autoconhecimento também pode ser visto como arrogância,
a arrogância de acreditar que podemos vir a conhecer e compreender aquilo que transcende,
que vai além do humano...
Lembrei, a tempo, da  existência do "anel da consciência humana",
ou seja aquilo que limita nosso campo de conhecimento como humanos...

Talvéz estivesse passando, sem me dar conta, por um momento de
excesso de confiança, de arrogância, 
aquele momento em que, às vezes, acreditamos finalmente "ter desvendado algo por inteiro"... ?

Não sei, mas o livro "caiu no meu colo"
e eu costumo dar valor e respeitar  estas coincidências significativas...
Elas sempre trazem uma mensagem, um recado, 
 sempre têm um telos, uma finalidade...
Aprendi minha lição e agradeço o alerta...

Então, nada em excesso...
Nem excesso do vangloriado e hiper-valorizado
 autoconhecimento...

Rosanna Pavesi/Abril 2013


(NOTAS: Eduardo Giannetti, Auto Engano, Companhia das Letras, São Paulo, SP, 12a ed., 1997 - p.69)


Um comentário:

Cristiane Marino disse...

Oi Rosana,

Adorei este seu post, que bela reflexão você fez...Concordo com você e com o autor: o excesso nunca é bom, mesmo em se tratando de auto-conhecimento! Não podemos ter a ilusão de que um dia desvendaremos os mistérios do ser. Isso nos faria cair na hybris.
Não li esse livro, mas fiquei bem interessada.
Bjs e ótima semana!