domingo, 17 de fevereiro de 2013

PROCESSO DE MUDANÇA: OS QUATRO ACAMPAMENTOS...

O Inconsciente (by Rosan)


" É preciso por-se em marcha para que as águas se abram..."


Esta frase de Nilton Bonder, em  A Alma Imoral, veio me confirmar que em processos de mudança,
em algum momento precisamos passar da intenção para a ação...

Podemos planejar, especular, refletir, pensar sobre, ponderar, nos preparar, determinar prazos para colocar em prática uma mudança, MAS há sempre o momento derradeiro e profundo da tomada de decisão interna de fazer acontecer, aquele momento em que devemos  "atravessar o Rubicão", dar o passo decisivo...

Em geral, o que tentamos planejar é o momento ideal, quando "x,y,z" acontecer, momento este sempre dependurado em fatores externos variados e muitos "SE": se isto acontecer, se tudo sair conforme
planejado, se nada der errado, se fulano concordar, etc.

Assim, frequentemente, ficamos no momento ideal, e perdemos o momento real, no presente...
Momento este precioso, pois é ele o divisor de águas entre o passado e o futuro, aquele passado
que queremos mudar e aquele  futuro que desejamos promover ...

                         "... É preciso por-se em marcha para que as águas de abram..."

Temos medo...  Medo deste futuro que desejamos mas que ainda não visualizamos...
                         Medo que não dê certo, medo de ousar, de transgredir, de desobedecer,
                         de deixar para trás o conhecido, o estabelecido, rumo ao novo...

NOVO que, de saída, se configura como um VAZIO...Este vazio que, talvez, possa ser imaginado como toda e qualquer experiência ainda não experimentada, o futuro ainda não vivido...
                                                            A nossa Terra Prometida...


by Paul Klee

Terra Prometida esta que precisa ter, como parte de sua tradição,  a possibilidade de rompimento, de mudança pois toda Terra Prometida, em algum momento, acabará por se tornar um lugar estreito também
e pedirá mudança...

Frequentemente, nos condenamos a uma fidelidade hipócrita ao passado, a um compromisso com um passado que obstrui o presente e o futuro...Nos condenamos ao Eterno Retorno do já vivido, enquanto o potencial do não vivido continuará como Eterno Potencial: o momento ideal, sempre arremessado para frente, para um momento qualquer - no futuro - que nunca chega...

É preciso lembrar que todo aquele que não faz juz e uso de todo o potencial de sua vida, de alguma maneira diminui o potencial de todos os outros...E vale também lembrar também que CORAGEM vem sempre acompanhada de medo... Sem medo, não há coragem... Coragem é quando, apesar do medo, decidimos atravessar nosso Rubicão...

Os portões do passado se fecham, os do futuro não se abriram ainda... Sentimos medo, medo de afundar no mar absoluto que há entre o passado e o futuro, aquele mar que precisamos atravessar...
É a chamada fase de transição, de liminaridade, a fase entre uma coisa e outra...

Há uma bela imagem que Nilton Bonder utiliza em A Alma Imoral que eu gostaria de retomar aqui...
É COMO SE estivessemos acampados, aguardando o momento certo para a travessia do mar absoluto,
este mar que é a fase de liminaridade, de transição de um locus para outro, aguardando que as águas se abram para atravessar...





by C.Portinari

Segundo N. Bonder, há quatro tipos de acampamentos, ou seja quatro posturas psicológicas:

1. - VOLTAR: O retorno reconhece o poder do lugar estreito que nossa vida se tornou. Este lugar do hábito é tão poderoso que foi uma ilusão se deixar levar pelo sonho de sair. A proposta de voltar pressupõe uma vida estreita e em conformidade com a realidade e as limitações que esta impõe. Voltar é escolher ficar no passado, no conhecido...Mesmo que seja só para reclamar e se queixar...

2. - LUTAR: É a crença de que se poderá fazer do próprio lugar estreito um lugar mais amplo. Desafia-se o lugar estreito... E esquecemos que o lugar que se tornou estreito um dia não o foi...

3. - JOGAR-SE AO MAR: Atitude de desespero.O acampamento tornou-se um limbo isuportável em que não há mais o passado que o definia, nem um novo futuro que o redefina. Na busca de um novo bom não se encontra um novo correto...

4. - ORAR: É um recurso de fazer da situação do novo uma reprodução do lugar estreito. Numa aparente resolução das demandas da psique, exige-se que a realidade seja "compassiva", permitindo que o novo lugar NÃO exija uma nova definição de nos mesmos. O novo lugar é o velho sem parecer estreito...

Nenhum dos quatro acampamentos representa o futuro e a saida. Todos eles são variações sobre o tema Hesitação e Vacilação, a fronteira onde, levando dentro de nos o nosso passado, tudo aquilo que já fomos e tudo aquilo que já vivemos, nossa bagagem, damos o passo rumo à nossa Terra Prometida...

Nos quatro acampamentos, há: Os que sabem e sabem que sabem...
                                               Os que sabem mas não sabem que sabem...
                                               Os que não sabem e nem sequem sabem que não sabem...
                                               Os que não sabem mas presumem que sabem...

                                 ... É preciso por-se em marcha para que as águas se abram...
                                               Confiar em si e nos processos da Vida...

                             O FUTURO SÓ EXISTE SE VOCÊ SE PÕE EM MARCHA...


                                                   (Notas: A Alma Imoral - Nilton Bonder - Editora Rocco)

                                                 Rosanna Pavesi/Fevereiro 2013

Um comentário:

Cristiane Marino disse...

Oi Rosana,

Que post lindo, eu também li esse livro do Newton Bonder e adorei.
Gostei dos quatro acampamentos que você mencionou.
Suas pinturas estão muito bonitas.
Bjs